domingo, 2 de março de 2008

Porcos II

Porcos infelizes: Como a indústria agro-pecuária intensiva os trata



Os porcos que vivem nas unidades pecuárias não conseguem desenvolver os seus comportamentos naturais – vivendo em espaços de cimento, sem qualquer elemento mínimo de enriquecimento, nunca lhes é dada a oportunidade de fazer o que de mais basicamente necessitariam: explorar o ambiente e o solo, correr, apanhar banhos de sol ou de lama, ou, sequer, respirar ar fresco.



Nas unidades pecuárias, sobretudo nas intensivas, os leitões são habitualmente separados das suas mães depois de 2 a 4 semanas de vida, e são alojados com outros leitões que não conhecem. Se separados muito cedo, eles chamam pelas mães com sons frequentes e distintos e, em alguns casos, parecem mesmo desistir de viver. As pequenas caudas dos leitões são amputadas para tentar prevenir a auto-mutilação nas caudas ou para tentar impedir que outros leitões e adultos mordam as caudas uns dos outros – um comportamento de frustração que os porcos expostos ao stress mostram e que resultam das miseráveis condições em que são mantidos. Os leitões machos são também castrados e as extremidades dos dentes tanto dos bebés machos como das fêmeas são limadas. Não lhes são dados quaisquer analgésicos para os aliviar do sofrimento em nenhuma destas amputações extremamente dolorosas.



As porcas passam a maior parte das suas vidas em celas de gestação – tão pequenas, que elas mal se conseguem mexer e muito menos virar-se. São continuamente engravidadas, até que sejam abatidas. Às porcas usadas para criação mantidas ao ar livre são muitas vezes aplicadas argolas no nariz para impedi-las de tentarem procurar raízes (escavando na terra), o que é extremamente doloroso para estes animais com narizes tão sensíveis e que precisam tanto de ter a oportunidade de explorar o solo. Uma porca mantida numa cela vazia, sem qualquer enriquecimento, com chão de cimento, tentará sempre ter o mesmo tipo de comportamento e de movimentos como se estivesse a tentar construir um ninho, mesmo que esteja fisicamente impedida de o fazer e mesmo sem ter quaisquer condições para tal. Os porcos machos são mantidos solitariamente em celas para lhes ser retirado o sémen.



Depois do sofrimento também no transporte, os porcos são mortos nos matadouros por sangria, através do corte da jugular, depois de terem sido electrocutados para ficarem atordoados. Por causa dos ineficazes métodos de atordoamento, muitos porcos ainda estão vivos quando são atirados para dentro de água a escaldar, que serve para lhes retirar os pêlos do corpo e para lhes amaciar a pele. Quando são mortos, os porcos machos ainda são pouco mais velhos do que bebés – têm apenas cerca de seis meses de idade.


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